Safira

04/09/2007 · Deixe um comentário

Estar lá, estar aqui. Lá é a hora? e o lugar? E então?

Estranho.
Aquele lugar em que encontrei o tal , era escuro, e somente os olhos brilhavam
como duas safiras rodeadas por um halo moreno. Parecia um desenho de Frank Miller.

Com pressa, me esqueci de pensar. Tudo o que eu tinha nas mãos caiu. Meus papéis, um caderno de anotações idiotas. E aquele beco, no final, duas safiras no escuro. Elas piscaram para mim. Me senti atraída para elas como dois pólos de metais, opostos. Nunca a física se aplicara tão bem. Que dia é… uma sensação de abandono, doce, desisto, chega, eu estou indo. Um perfume. Não é cocaína. O céu estava aberto, e aqui está tão escuro, as cores estão foscas. Caminho devagar, estou quase em inércia. De repente, estou a dois passos das safiras. Como num pulo, num relance, um foward mega rápido, eu cheguei. Suspiro.

Penso.

O que está acontecendo? A resposta veio em voz alta. “Mas não era isso que você queria?” Não pude dizer nada. Foi quando notei que meus pés estavam fora do chão, levitando. Novo recado, mais inquisidor. “Sente-se bem agora?”. Bem? Nunca havia me sentido melhor. Era indescritível. Me dei conta de que aquilo era realmente um sonho, eu estava curtindo, seria a morte? Eu estava flutuando, indo para não sei onde, ver não sei quem.
Eu não quero acordar, porque será que não posso ficar aqui? As safiras se distanciam cada vez mais de mim, por mais que eu tente ser rápida, a velocidade não se altera.
O que eu tinha nas mãos mesmo? Não sei, não preciso de mais nada agora. Estou indo. Quentura, formigamento, adormeci, e acordei na minha cama. Não consegui chegar até as safiras. Elas me pareciam tão belas, e atraentes, e cada vez mais longe. Nunca mais desde então me lembro de ter sonhado de novo.

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