Ricardito é um bom menino, que apesar de ter nascido no Chile nunca pertenceu de fato àquele lugar, seu grande sonho era morar em Paris, o lugar mais bonito do mundo. Já adulto realizou seu sonho. Realizado esse sonho, o garoto pouco ambicioso sempre se contentou em ser tradutor da Unesco, profissão que lhe permitiu conhecer muitos países, algo que que ele não faria por si próprio, haja vista seus recursos limitados. Ao mesmo em que o Peru se desintegrava politicamente numa ditadura e no fracasso da revolução socialista, e do Movimento de Esquerda Revolucionária, o MIR, todo o país foi sendo tomado pela necessidade de mudanças, menos Ricardito. Que tinha amigos no movimento, que não entendiam como ele podia ser tão alienado em sua Paris. A única lembrança que sempre trouxe do Chile, era a da sua chilenita, namorada de infância, a menina má, seu amor de perdição, uma armadilha, uma verdadeira doença. Entrando e saindo de sua vida, continuamente, ela se tornou a pessoa que o fez sentir o calor da paixão, e a dor aguda do sentimento de abandono. Cada promessa de nunca mais aceitá-la de volta, era quebrada assim que seus olhos a avistavam e que seus lábios tocavam os dela.
Essa resenha acima, é minha impressão do livro que acabo de comer, digo, ler. “Travessuras da menina má” de Mario Vargas Llosa é um dos livros mais SM (sadomasoquista) que já li. Ainda que me custe, tenho que dizer a verdade, eu leio pouco, e sempre que tento ler algo, passam pelas minhas mãos diversos títulos, romances, biografias e até alguns mais leves. Mas só consigo mergulhar em leituras como essa, densas, pesadas e intensas. Histórias carregadas de emoção e de sacrifício, e de amores, profundos, e por vezes, faltamente doloridos. Não tem amor melhor, tudo que é de verdade sempre deixa marcas, mesmo que elas não sejam visíveis.
Ele caiu nas minhas mãos sem querer, como todos os outros livros inesquecíveis que li. Ele estava comigo para devolver para uma amiga, e enquanto não a encontrava resolvi começar a ler, em seguida veio um final de semana chuvoso num sítio e pronto. Até parecia uma música do Djavan.
Aproveita a chuva que vai cair nesses quatro dias de feriado pagão, e leia.
Jornalista, dramaturgo, ensaísta e crítico literário, Mario Vargas Llosa é um escritor consagrado internacionalmente.Ele comentou que há tempos queria escrever esse livro, “É uma história de amor, um amor moderno, condicionado pelo mundo em que vivemos e que está muito mais próximo da realidade do que os amores românticos da literatura. Este amor que se estende ao longo de quarenta anos também serve para fazer uma espécie de grande afresco de um universo que mudou extraordinariamente”, afirmou ao El País.
6 respostas Até agora ↓
tarsischwald // 01/02/2008 às 13:01 |
Gi, a Gabi me fala muito desse livro. Como ela me contou a história, acabei deixando para ler mais tarde, mas ficou muito jóia tua resenha, parabéns!
beijo
T§
Gabs // 02/02/2008 às 13:01 |
Rá. E Fui eu quem te recomendou : )
Beijos, luv ya.
Giseli // 06/02/2008 às 13:01 |
Obrigada Tarciso! Escrevi com a mesma fome com que li o livro. Gabi…pode continuar recomendo.
Beijos
dan // 07/02/2008 às 13:01 |
Boa pedida, esse vai ser um dos meus próximos livros , terminei de ler o Caçador de Pipas e agora to lendo o livro do Loyola Brandão….
javier // 14/04/2008 às 13:01 |
ola. realmente ele tem bons livros. tem um outro autor que eu gosto bastante e pode se dizer que eh do mesmo genero. ele eh tambem peruano, e ao igual que vargas llosa, foi influenciado por “tatie” para ir morar em paris e virar escritor. ele se chama “alfredo bryce echenique”. talvez a obra mais conhecida dele seja “o mundo de julius”, mas eu recomendo “a vida exagerada de martín romaña”. o bom martín, julius, pedro balbuena, carlos alegre, etc. sao apenas personagens que fazem voce viajar em diferentes lugares, momentos e epocas da vida. assim temos um julius que de crianca vai descobrindo o mundo, enquanto que um mais velho martin romania vai descubrindo o primeiro amor de tere mansini aos seus talvez 15 anos, para depois um carlitos alegre se apaixonar no “huerto da sua amada” por uma mulher mais velha do que ele, enquanto finalmente um pedro balbuena chega no aeroporto “charles de gaulle” mais sozinho que os poemas de bécquer com mtos sonhos de virar escritor. realmente vale a pena ler! sao livros que vc nao consegui parar, ateh chegar ao final. as historias se desenvolvem atraves de lembrancas do pasado dele provalmente, como lima, berkeley, cadiz, barcelona, perugia, paris, a costa azul, etc. vale a pena se sentar num “sillón voltaire” e comecar a navegar com ele com um bom vinho atraves dessas historias “bem humanas”.
Anonimo // 04/06/2008 às 13:01 |
Olá, gostaria somente de corrigir de maneira a formar uma crítica construtiva a respeito dessa resenha… Tbm li o livro, de fato é mt interessante, Mario Vargas Llosa é um grande autor, tão peruano qto seu personagem Ricardito. O autor, assim como seu personagem tinha vontade de morar na Europa, no caso de Ricardo, Paris (Mario Vargas Llosa hj é naturalizado espanhol). O que pode ter ocorrido de confusão foi o fato da menina má se apresentar primeiramente como a chilenita Lily, mais tarde desmascarada no livro como tão peruanita como qlq outro do bairro limeño de Miraflores. Mas essa confusão, só poderia ter ocorrido se vc tivesse lido a versão original da obra, na língua espanhola, que diga-se de passagem é bem mais interessante pra quem procura literatura latina, afinal, as traduções do espanhol para o português são bem fracas. Enfim, acho interessante que se reveja a resenha, no mais, indiquem mesmo o livro, é mt bom…