Entradas do Abril 2008

Envelheci…

29/04/2008 · Deixe um comentário

…e está tudo bem. Sim, está. Eu aceito meu novo ritmo, meu novo conceito de ser feliz e de me divertir, e principalmente, de viver. Não estou abandonando nada. Estou gostando mais de mim mesma, estou com mais poder para fazer o que realmente quero, e ser quem eu realmente sou. Não vou deixar de dançar como se ninguém estivesse olhando, e nem de fazer imitações hilárias, e nem de ser criançona e imatura, às vezes. Mesmo assim, me permito envelhecer, e diminuir o ritmo alucinante, a querer menos supresas, mais amor, e noites enluaradas, a ponto de ver o amplo quintal da minha casa, todo iluminado.

Me debati muito, lutei, e até fui ingênua a ponto de achar que seria a última rebelde, a última romântica, a única que não se acomodaria em nenhum ninho, por medo de me esquecer das graças da vida. Inevitavemente, tudo isso foi se esfumaçando, e outras coisas foram tomando forma. Muito do medo de pousar evaporou-se, hoje tenho muito mais certezas.

Por fora, está tudo muito bem, as mudanças são poucas. As grandes mudanças foram estruturais. Posso ver claramente os ciclos se abrindo e se fechando. A vida não pára, e nada pode interromper aquilo que eu realmente quero para mim. No meu peito, há uma rede onde eu balanço calmamente, corro para lá sempre que preciso.  Lá vou morar para sempre. Bom, posso também me preparar para morar em Miami Beach, num daqueles “asilos” chiquérrimos, onde vivem velhinhos endinheirados. 

 

 

 

 

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Pais animais

16/04/2008 · 1 Comentário

Há clichês e clichês. A violência que se comete contra uma criança, ou contra qualquer ser indefeso, inclusive contra animais é imperdoável. Em tempos confusos, de caso Isabella, de dó e de pena. Esse vídeo cabe muito bem. A mesma mão que bate, também afaga.

Esse comercial é muito sacado. Vejam, vale muito a pena.

Good vibrations

Categorias: Tristesse
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Pedrinhas do assoalho

15/04/2008 · Deixe um comentário

 

Segunda-feira é um dia em que não é recomendável tomar grandes decisões. Eu imagino. Parece que tudo é muito mais sério do que realmente é, ou então, aquele problema insolúvel, que estava sendo alimentado, requentado há tempos, simplesmente explode. E a gente acaba resolvendo ou jogando tudo para o universo.

O problema com as decisões é de, de repente pirar o cabeção, e depois chorar as pitangas. Se bem que na vida, mais vale o risco do que a espera por algo. Pelo menos na minha modesta concepção. Prefiro chorar as pitangas, prefiro quebrar a cara.

Viver sem intensidade, digo sem prazer, cansa muito. Para quê, de que vale atravessar um lamaçal, se lá na frente, depois de sair com os pés imundos, nada de recompensa em esperar?

Pode ser que não haja nada. A recompensa é se olhar no espelho e gostar de ver o suor do rosto, dar valor a ele. Sentir que fez algo que preste no período entre o momento que se acorda e o que se deita.

Depois de muito tempo sem sentir isso, esse prazer, as pessoas ficam sem cor, sem viço, sem brilho. A face esbranquiçada, pelo parco bronzeado do escritório, as olheiras, a falta de tesão, falta de vontade, e a ausência de ânimo. Aff, falta de vida, dá para sentir a quanto ruim isso pode ser??

Depois de pensar sobre isso, de pensar em coisas que ouvi de amigos, amigos de coração e de profissão, ou pessoas que viveram mais que eu, e viram mais coisas que eu…que passar o tempo engolindo sapos, ou viver esperando que a felicidade venha do seu emprego, ou de qualquer coisa que não seja de você mesmo, é tempo perdido. E eu nem sou tão jovem.

Ahh, tá. Complicado pôr em prática. Eu gostaria muito de conseguir levar isso à risca. Tenho um projeto de vida, começo ele hoje. Numa segunda vazia, sem internet até as 16hs, eu resolvi começar, ou recomeçar. Porvavelmente é por isso que sobrou tempo para estar aqui, e escrever sobre aquilo que realmente gosto de falar. Eu e minhas divagações. Tudo parece estar tão longe do universo só meu onde estou agora. Isso é bom, e reconfortante.

Conto as pedrinhas do assoalho, ou quantos azulejos cobrem o edifício.

São aquelas coisas em que a gente pensa num espaço de tempo vazio, um vácuo que fica entre um instante e outro. Entre os afazeres, no ponto de ônibus, durante uma espera qualquer, ou enquanto o júri está deliberando. Aqui, no meu espaço, eu mando e faço as coisas do meu jeito. Pelo menos por aqui.

 

 

 

 

 

 

Categorias: A vida como ela é pra mim
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Charlton Heston e… viver com paixão

07/04/2008 · 2 Comentários

Morreu hoje aos 84 anos, um dos maiores, senão o maior, o melhor ator que eu e o mundo já vimos. Há poucos dias, na páscoa, assisti vívida e ansiosa, como sempre, o filme épico preferido, Ben-Hur, onde conhecia esse ator. A perfeição com que ele foi feito, e a atuação monumental de Heston, garantiram 11 oscars. Deixa qualquer outro gladiador no chinelo, Maximus que me desculpe, mas, em 1959 e sem efeitos especiais, só quem sabe tudo é que faz. Heston sofria do mal de Alzheimer, e também atuou em filmes como Dez Mandamentos, A marca da Maldade, Planeta dos Macacos, El Cide Agônia e Extase.

Ben-Hur é perfeito. Um dos aspectos do filme que mais me impressiona é a sutileza, a arte de impressionar mais com o que não se mostra. O filme se passa na época de dominação dos romanos, e da execução sumária de cristãos na arena. Jesus Cristo, enfrenta seu destino, ele aparece no filme, sem mostrar o rosto, sua história é um lindo e emocionante pano de fundo. A forma como ele é mostrado no filme, é marcante, apesar de ele não ser o protagonista, este papel é do judeu Judah Ben-Hur, que errou ao recusar aliança a seu melhor amigo de infância, que se tornou general romano, Messala.

Vejo e revejo essa obra de arte, dezenas de vezes, todos os anos, e até hoje, não me cansei. Há quem não goste de repetir filmes. É porque talvez ainda não tenha se deparado com algum que valha a pena. Acho que é bom tentar buscar, e repertir na vida, coisas que nos fizeram sentir paixão pela vida, emoção e um sabor que não se quer deixar escapar. É indescritível ver algo, alguém, que não foi desgastado pelo tempo, nem por tudo aquilo que desbota as cores da vida. O cinema, a arte, e o sol da manhã são assim.

Repara bem que há tanto para ser, tanto para se descobrir. Eu me esforço para acreditar nisso e para vivenciar isso, e não me deixar envolver por tudo o que enegrece a visão, a alma, e a capacidade de dançar como se ninguém estivesse olhando. Talvez esse seja o meu maior medo, um dos mais latentes e apavorantes de todos os meus. Sim, eu tenho medo disso. Se é verdade que o medo existe para a nossa sobrevivência, então que o meu seja usado como alimento para as minhas paixões, por mim mesma, pela vida, pelo cinema e pelo amor.

Quero me especializar em viver com paixão. Vou investir nisso, pesado, tudo o que eu tenho, não me preocupo com altos lucros, o importante é o tipo de investimento. A minha vida não se define em uma alternativa apenas, a uma profissão, a um casamento, a meus contatos, ela se define pela soma de tudo isso, e do que é possível se aprender, se extrair, de tudo isso. Inclusive, a soma dos medos, a dos defeitos, e sobretudo, dos sonhos, daqueles que tive, daqueles que vivi, e daqueles que irei realizar.

Afinal, o que significa viver com paixão? Para cada um, há um peso e uma medida. Aliás, é igual a tudo na vida, esse é um pressuposto, meio lugar comum dizer isso, mas é o que acontece em tudo. Meu palpite é: o segredo é saber se entregar, se inclinar quando um vento forte bate, tentar relaxar no momento da queda. Admito que é difícil, está sendo, e porquê não seria?

Escrever é tão bom, dá uma sensação de alívio, de se sentir mais livre, até de si mesmo. Eu tiro do meu peito aberto, as palavras que ficam ali esperando para sair e posso despejá-las aqui. As paixões são arredias, e podem se esvair do peito escancarado. Se eu não me esforçar para segurá-las, elas se vão, e desaparecem, nunca se sabe quando vão voltar.

 

 

Categorias: Palavras para tudo