
Morreu hoje aos 84 anos, um dos maiores, senão o maior, o melhor ator que eu e o mundo já vimos. Há poucos dias, na páscoa, assisti vívida e ansiosa, como sempre, o filme épico preferido, Ben-Hur, onde conhecia esse ator. A perfeição com que ele foi feito, e a atuação monumental de Heston, garantiram 11 oscars. Deixa qualquer outro gladiador no chinelo, Maximus que me desculpe, mas, em 1959 e sem efeitos especiais, só quem sabe tudo é que faz. Heston sofria do mal de Alzheimer, e também atuou em filmes como Dez Mandamentos, A marca da Maldade, Planeta dos Macacos, El Cide Agônia e Extase.
Ben-Hur é perfeito. Um dos aspectos do filme que mais me impressiona é a sutileza, a arte de impressionar mais com o que não se mostra. O filme se passa na época de dominação dos romanos, e da execução sumária de cristãos na arena. Jesus Cristo, enfrenta seu destino, ele aparece no filme, sem mostrar o rosto, sua história é um lindo e emocionante pano de fundo. A forma como ele é mostrado no filme, é marcante, apesar de ele não ser o protagonista, este papel é do judeu Judah Ben-Hur, que errou ao recusar aliança a seu melhor amigo de infância, que se tornou general romano, Messala.
Vejo e revejo essa obra de arte, dezenas de vezes, todos os anos, e até hoje, não me cansei. Há quem não goste de repetir filmes. É porque talvez ainda não tenha se deparado com algum que valha a pena. Acho que é bom tentar buscar, e repertir na vida, coisas que nos fizeram sentir paixão pela vida, emoção e um sabor que não se quer deixar escapar. É indescritível ver algo, alguém, que não foi desgastado pelo tempo, nem por tudo aquilo que desbota as cores da vida. O cinema, a arte, e o sol da manhã são assim.
Repara bem que há tanto para ser, tanto para se descobrir. Eu me esforço para acreditar nisso e para vivenciar isso, e não me deixar envolver por tudo o que enegrece a visão, a alma, e a capacidade de dançar como se ninguém estivesse olhando. Talvez esse seja o meu maior medo, um dos mais latentes e apavorantes de todos os meus. Sim, eu tenho medo disso. Se é verdade que o medo existe para a nossa sobrevivência, então que o meu seja usado como alimento para as minhas paixões, por mim mesma, pela vida, pelo cinema e pelo amor.
Quero me especializar em viver com paixão. Vou investir nisso, pesado, tudo o que eu tenho, não me preocupo com altos lucros, o importante é o tipo de investimento. A minha vida não se define em uma alternativa apenas, a uma profissão, a um casamento, a meus contatos, ela se define pela soma de tudo isso, e do que é possível se aprender, se extrair, de tudo isso. Inclusive, a soma dos medos, a dos defeitos, e sobretudo, dos sonhos, daqueles que tive, daqueles que vivi, e daqueles que irei realizar.
Afinal, o que significa viver com paixão? Para cada um, há um peso e uma medida. Aliás, é igual a tudo na vida, esse é um pressuposto, meio lugar comum dizer isso, mas é o que acontece em tudo. Meu palpite é: o segredo é saber se entregar, se inclinar quando um vento forte bate, tentar relaxar no momento da queda. Admito que é difícil, está sendo, e porquê não seria?
Escrever é tão bom, dá uma sensação de alívio, de se sentir mais livre, até de si mesmo. Eu tiro do meu peito aberto, as palavras que ficam ali esperando para sair e posso despejá-las aqui. As paixões são arredias, e podem se esvair do peito escancarado. Se eu não me esforçar para segurá-las, elas se vão, e desaparecem, nunca se sabe quando vão voltar.