
Segunda-feira é um dia em que não é recomendável tomar grandes decisões. Eu imagino. Parece que tudo é muito mais sério do que realmente é, ou então, aquele problema insolúvel, que estava sendo alimentado, requentado há tempos, simplesmente explode. E a gente acaba resolvendo ou jogando tudo para o universo.
O problema com as decisões é de, de repente pirar o cabeção, e depois chorar as pitangas. Se bem que na vida, mais vale o risco do que a espera por algo. Pelo menos na minha modesta concepção. Prefiro chorar as pitangas, prefiro quebrar a cara.
Viver sem intensidade, digo sem prazer, cansa muito. Para quê, de que vale atravessar um lamaçal, se lá na frente, depois de sair com os pés imundos, nada de recompensa em esperar?
Pode ser que não haja nada. A recompensa é se olhar no espelho e gostar de ver o suor do rosto, dar valor a ele. Sentir que fez algo que preste no período entre o momento que se acorda e o que se deita.
Depois de muito tempo sem sentir isso, esse prazer, as pessoas ficam sem cor, sem viço, sem brilho. A face esbranquiçada, pelo parco bronzeado do escritório, as olheiras, a falta de tesão, falta de vontade, e a ausência de ânimo. Aff, falta de vida, dá para sentir a quanto ruim isso pode ser??
Depois de pensar sobre isso, de pensar em coisas que ouvi de amigos, amigos de coração e de profissão, ou pessoas que viveram mais que eu, e viram mais coisas que eu…que passar o tempo engolindo sapos, ou viver esperando que a felicidade venha do seu emprego, ou de qualquer coisa que não seja de você mesmo, é tempo perdido. E eu nem sou tão jovem.
Ahh, tá. Complicado pôr em prática. Eu gostaria muito de conseguir levar isso à risca. Tenho um projeto de vida, começo ele hoje. Numa segunda vazia, sem internet até as 16hs, eu resolvi começar, ou recomeçar. Porvavelmente é por isso que sobrou tempo para estar aqui, e escrever sobre aquilo que realmente gosto de falar. Eu e minhas divagações. Tudo parece estar tão longe do universo só meu onde estou agora. Isso é bom, e reconfortante.
Conto as pedrinhas do assoalho, ou quantos azulejos cobrem o edifício.
São aquelas coisas em que a gente pensa num espaço de tempo vazio, um vácuo que fica entre um instante e outro. Entre os afazeres, no ponto de ônibus, durante uma espera qualquer, ou enquanto o júri está deliberando. Aqui, no meu espaço, eu mando e faço as coisas do meu jeito. Pelo menos por aqui.
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