O que é que faz o artista ser lembrado? Talvez por ele ser autêntico, ou talvez por ele ser matavilhoso, mas pela morte dele, é coisa quase certa. Se ela for trágica, sucesso vitalício. Ouço dizer que os artistas natos, são tão sensíveis e geniais, que vivem atormentados em uma constante loucura. Os fatos da vida se entrelaçam confusamente. Será mais uma lenda urbana… talvez não. Alguns são loucos, outros não, enfim, são seres humanos. Foi-se aquele bom tempo, em que ser artista era transgredir os ditâmes da vida real. Atualmente, a vida comum supera e muito qualquer demonstração artística, qualquer ousadia.
Pintores e outros artistas ficaram conhecidos séculos depois da sua passagem para o além. E se fosse o contrário? Se a obra em si deixasse de existir, e apenas o sentimento permanecesse, o artista poderia desfrutar dos louros ainda em vida.
Tem um cara, um senhor bem mané que conseguiu. Da pior maneira possível – quer dizer – isso é minha opinião e de mais umas setenta mil pessoas. Guillermo Habacuc Vargas, mostrou sua “obra perecível” numa galeria de arte em agosto de 2007, em Manágua, Nicarágua. A tal obra é o seguinte – ele pegou um cão abandonado na rua, o amarrou com uma corda no local de sua instalação na Bienal e lá o deixou sem água e sem comida, até que ele morresse de fome e sede. O animal fazia todas as necessidades ali mesmo, e sofreu até morrer de total desnutrição. Ele esteve sob o olhar de centenas de pessoas na exposição. Ele a chamou de “Exposição número 1″.
O dito artista acaba de ser convidado para repetir a dose na Bienal de Arte Centro-Americana de Honduras em agosto de 2008. E há um outro batalhão de gente tentando impedir.
Além de cruel, o artistinha também é ousado, destemido, e quer realmente provocar a nossa mais profunda ira. Acima do cão, na parede, onde ele não podia alcançar, um aviso escrito com ração dizia, “A petição pode ser assinada em http://www.petitiononline.com/13031953/petition.html
e destina-se a impedir que o artista participe no evento.”
O tal Habacuc não cedeu a apelos de pessoas que pediram a ele para que o crápula libertasse o animal. Ele disse que não ía dar, porque aquilo era uma homenagem a Natividad Canda, um nicaraguense que morreu depois de ser atacado por um rotweiller.
E o que é que aquele cachorro doente, que foi pego numa zona pobre da cidade de Manágua, tinha a ver com o incidente com Natividad? Será que esse imbecil está querendo parafrasear Jesus Cristo e quer que um inocente pague pelos erros dos outros?? De outros cachorros e de outros seres humanos??
Diz-se, às vezes, “fui tratado igual a um cachorro”. Ei, ei, gente, espera aê – um cachorro merece ser tratado com respeito, com carinho, ele sente, ele sofre, caramba.
“O importante para mim é constatar a hipocrisia alheia: um animal torna-se o centro das atenções quando o ponho num local onde toda a gente espera ver arte, mas deixa de o ser quando está na rua”, justificou o artista ao jornal costa-riquenho La Nación. “O cão está mais vivo do que nunca porque continua a dar que falar”.
Ah, é claro, porque será que ele não faz isso com o filho dele, com a mãe dele, ou ele mesmo, se doa de corpo e alma, e morre de fome? Espero que ele sofra o dobro do que aquele cãozinho sofreu. Não quero que ele morra.
Ajude a impedir que ele deixe outro pobre cãozinho morrer de fome, e assine a petição . Não há nenhuma obra de arte, ou mensagem, ou motivo, que justifique isso. Até o ano passado, mais de 70.000 pessoas assinaram o documento e repudiam a atitude de Habacuc.
Para votar contra a participação do artista na Bienal, clique aqui. 
Blog contra a crueldade.
Esta é a uma das últimas fotos dele.