Realmente não tenho escrito nada por aqui, e confesso que já pensei em cancelar esse blog, afinal ele tem uns três leitores contando comigo. Me deixei esquece-lo. Apesar disso, de repente, talvez por teimosia, ou rebeldia tardia, resolvi deixar tudo como está. Eu adoro o nome que dei ao meu pequeno espaço. Suando na Neve. Gosto mesmo. Acho que tem tudo a ver com os nonsenses da vida, com seus extremos e com coisas que simplesmente não consigo compreender ou digerir. Suar na neve é algo difícil, pelo menos me parece. Dá aquela sensação de nadar contra a corrente só para exercitar os músculos que sentem. Tem certo peso, mas também tem a graça. É. Um toque de humor e sarcasmo é que me mantém operante. Eu não sou como “todo brasileiro”, eu desisto sim, e dependendo da situação, acontece logo.
Eu nunca tinha acompanhado de perto uma olimpíada como tive a oportunidade de ver pela televisão a da China. Eu achei um show, realmente espetacular. Apesar de o nosso Brasil ter trazido duas medalhas de ouro a menos do que na última edição, não importa, valeu muito a pena. Não sou ufanista não, muito pelo contrário, mesmo assim, acompanhar as madrugadas das competições e ver a primeira medalha no atletismo foi muito bom. Porém, o deu gosto mesmo é ver as mulheres na liderança. A mulherada desbancou os marmanjos para entrar na história. Fora o César Cielo que faturou um ouro na natação dos 50 metros, as outras medalhas inéditas foram ganhas pelas garotas, no atletismo, no judô e no vôlei de quadra.
O esforço e a disciplina do esporte são inspiradores. E como quase tudo na vida, não é nem um pouco fácil. Aliás, a palavra fácil está bem difícil. Ela quase não se encaixa mais nas crônicas da vida diária. Às vezes, eu tenho a impressão de que vivi em outro mundo até alguns anos atrás. Me esforço para tentar compreender porque tudo parece doer tanto, porque tantas coisas ruins e tragédias precisam acontecer todos os dias. E alguém me sopra no ouvido, “é assim mesmo, você amadureceu”, ou então, “nossa, benvinda ao clube, esse é nosso mundo”. Onde será que eu estava antes? Eu estava aqui, só que mais ocupada com outras coisas do que filosofar sobre a vida.
Dia 24 de agosto, coincidentemente, o mesmo dia em que o presidente Getúlio Vargas se suicidou, há 50 anos, em 1958, um amigo de infância que eu não via há anos, se enforcou na garagem de casa. Semana passada, ele passou por mim na rua, e me apresentou sua mulher e seus dois filhos. Tinha uns trinta anos, fisicamente saudável, desistiu de viver. Num outro extremo, conheço uma outra pessoa, bem mais velha, que está com o corpo condenado à morte, e presa neste corpo, uma mente a pleno vapor. Nada é fácil de entender.
Me senti pequena diante da realidade massacrante de um domingo ensolarado. Ela desabou sem aviso sobre mim, e deu um novo sentido ao meu conceito de problemas do momento. A cada dia, tudo muda e gente precisa se reconfigurar e se manter são. Pelo menos tentar. Não há tempo para se sentar na margem do rio e chorar. Engula isso tudo, retoque a maquiagem, e recomponha-se. Como tudo na vida, todo dia.
Boa semana para todos nós!
3 respostas Até agora ↓
Holly // 26/08/2008 às 13:01 |
Não cancela não!!!
Eu sempre passo por aqui e adoro o que você escreve. Se não comento mais é por pura falta de tempo.
Mas to sempre por aqui!
Bjs!
Giseli // 26/08/2008 às 13:01 |
Obrigada! Desisti, sou teimosa!
Bjs
Giseli // 26/08/2008 às 13:01 |
Desisti de desistir.rs