O novo filme de Pedro Almodóvar, “A pele que habito” foi adaptado de um livro, “Tarântula”, do autor Thierry Jonquet, é uma história que até poderia se perder, e se transformar num filmeco de terror, porém, nas mãos deste intrépido espanhol, é uma ode ao suspense.
Aviso aos mais sensíveis – a tensão é máxima, o peso extremo. Esse climão cai muito bem, assim que se conhece a história de Richard Ledgard (Antonio Banderas), um cirurgião plástico que perdeu a mulher vítima de queimaduras num acidente de automóvel, e desde então, se tornou um especialista em pesquisas para descobrir uma pele que poderia tê-la salvo.
Ele mantém uma mulher, Vera – sua cobaia, sua criação - presa num quarto, e nela ele testa as peles que tanto persegue incessantemente. O figurino é todo feito de macacões nude e pretos, continua sendo de Jean Paul Gaultier. “Você é a mulher com a melhor pele do mundo”, segundo o cirurgião.
Banderas não trabalhava com Almodóvar desde 1990 em “Ata-me”, e nesta película o ator marca com uma ótima interpretação, e parece ainda mais sexy falando em espanhol. Ele consegue encarnar um homem marcado por tragédias em série, e com um ar de médico louco, desses que não medem esforços para conseguirem o que querem. Aliás, o argumento do filme redefine a expressão “medir esforços”.
É surpreendente, e confesso que depois da sessão, minha mãos estavam úmidas, mas eu estava feliz por ter finalmente, visto novamente uma obra prima, o primeiro suspense de Pedro. A Pele, vai marcar o gênero, como quando o blockbuster M. Night Shyamalan fez seu “Sexto Sentido”. Só que Almodóvar nunca se deixa seduzir por grandes bilheterias. Ao menos, até agora.
As piadas inesperadas e pequenas pitadas de humor negro para se rir com o canto da boca, quebram um pouco a linearidade da tensão. Pedro Almodóvar se supera e recupera a maestria depois do seu último filme, “Abrazos rotos”, que considero fraco, levando-se em conta sua filmografia.
Dizer mais me faria colocar um spoiler aqui, e garanto que vale a esperar e se aventurar na sala escura do cinema.
Por Giseli Miliozi

Espanhol é sexy, sem dúvida. Motivo pelo qual Penélope Cruz tem lugar garantido no meu coração.