Hello, olá, forasteiros, três leitores…ói eu aqui. Ando assim, digamos tentando me supreender com a minha própria vida, e como isso raramente tem acontecido, estou procurando inspiração, energia, sei lá onde. Ás vezes, isso me chega num domingo, ou no meio de um temporal, enquanto eu observo os pingos de chuva escorregarem pela janela. Incrível como isso me acalma, funciona como uma espécie de yoga, ginástica mental, por aí.
Acho que esperei demais do universo, e geralmente quando as expectativas são muito grandes, a decepção, quando acontece, é proporcional. Esperei e espero demais de mim mesma. As pessoas, em sua maioria podem achar muito legal ser perfeccionista, mas é um martírio. Para um perfeccionista, no quesito carreira e ocupação, pode ser uma tortura aceitar que é bom ficar em paz e em casa, algumas horas por dia, sem estar produzinho muito, e trabalhando muito. Acho que evoluí, superei essa fase. Hoje, só hoje, é meu lema agora. E faz um bem extraordinário.
E por falar em supreender…há muitas formas de ganhar a vida, mas sempre há alguém que consegue inventar outro, ou o faz de forma mais corajosa, e desafiadora do que a maioria dos outros seres humanos faria, sem pudor, e sem preocupações. Eu penso muito sobre isso. Encontrar um nicho produtivo, que satisfaça a fome de pagar contas no fim do mês, e seja digno para a alma de quem o pratica, é uma grande vitória, digamos, um achado. Me acreditem, alguns empregadores, vide enganadores, fazem da tarefa de trabalhar algo parecido com a dificuldade de tentar conseguir ser prontamente atendido pela Telefônica. Ou, pior, uma espécie de prostituição forçada. Uma verdadeira operação de guerra. Get ready to jump, freelancers. Rá.
Voltando. Desculpe, consigo falar de cinco assuntos ao mesmo agora, e volto a cada um fazendo relação com uma sexta coisa totalmente diferente, porém, com algo a ver, de forma mediúnica e intrinsecamente ligada ao primeiro assunto e motivo da conversa. Ufa.
Lendo a revista da Folha, do último domingo, a matéria de capa, “Como é se expressar ou trabalhar sem roupa em São Paulo”, me veio essa reflexão. Essas pessoas que trabalham exclusivamente com o corpo, e como elas se sentem. Adorei a pauta. Pessoas que trabalham sem roupa, atores, modelos vivos e gente que tira a roupa em nome de uma causa, simplesmente porque acha gostoso, ou por um outro motivo irrefutável : paga-se mais.
Uma modelo viva, que trabalha em várias faculdades, disse que tentou ganhar a vida fazendo outras coisas, como trabalhar numa fábrica, mas além de ganhar pouco, e sentia-se mal, por causa do preconceito masculino. No meio de artistas, ela não sente isso. As opiniões sempre divergem. O ator Pedro Cardoso é totalmente contra ficar nú no trabalho. Ele escreveu uma espécie de tratado contra a nudez nos palcos. Ele acha que tudo se reduz a uma questão comercial e exploração da imagem. Será que é porque ele não é um Apolo? Sabe-se lá. Eu acho toda nudez será castigada por mais bonita que seja, por mais contextual que seja. E os advogados, e gente envolvida assinam em baixo. O tabu permanece e causa confusão.
A verdade é que vivemos num grande palco, e precisamos representar nosso papel, ou papéis. Encenar um perfil para sermos aceitos em certos lugares, em certos emno ambiente de trabalho, e para não ficar sozinhos. Uma chata realidade, porém, é de prache.