Sentimentos são o tipo de coisa que não se deve amadurecer, sentimentos maduros, geralmente apodreceram, os disciplinados que me desculpem mas o frescor é fundamental.
Não julges minhas palavras pela idade, porque nada do que digo tem idade. Me dá sede de vida quando vejo alguém com rugas no rosto e brilho nas palavras, escorrendo em cores pela boca, e se espalhando pelo asfalto quente, derretendo toda a pavimentação e fazendo abrir o tempo mais nublado. Um arco íris saiu numa brecha do paralelepípedo.
Parafraseando meu poetinha de cabeceira Zeca Baleiro, “há mais solidão num aeroporto do que num quarto de hotel barato, antes o atrito que o contrato”. Muitas pessoas, perguntam muita coisa da minha vida, e se perguntam das vidas de outrem, mas passam seus dias sem felicidade e sem paz. Há tanto oq que fazer por si mesmo. Eu mesma me lembro de algo que posso fazer por mim todos os dias. Eu procuro lutar pela paz em meio à minha ansiedade, uma veia latente no meu pescoço, que pulsa enquanto tento em vão dormir e dizer para mim mesma, que devo relaxar, desligar, desplugar e parar de twittar.
E foi com o coração doendo, que me sentei aqui no meio da madrugada para escrever. Não sei bem o motivo, se foi o vinho, ou certos imprompérios que ouvi há dias atrás, ou a minha tolice, a minha ingenuidade, ou as minhas crenças tolas, ou ainda, a minha alardeada imaturidade. Muitas vezes, a dor é quase tão insuportável quanto a necessidade de colocá-la em palavras. Muitas vezes, ásperas, outras vezes, suaves, mas tão venenosas quanto uma serpente peçonhenta. Prefiro mil vezes, que me agridam por um breve minuto do que ser bem tratada burocraticamente e com falsidade durante décadas. Sim, eu choro quando estou triste e rio quando estou feliz, faço molecagem e não me importo. Se algumas lágrimas correm agora em meu rosto, elas me rejuvenescem, e são mais por mim, do que por você que me feriu.
Em meu pranto sentido, eu me renovo, enquanto há pessoas que continuam sendo uma peça antiga que alguns admiram, mas que está sempre guardada na estante, numa distância adequada para o alcance das mãos, quando necessário. Seja qual for o tamanho da dor, essa que ressoa forte no meu peito, não será maior que eu.
Eu sou o espelho límpido daqueles que amo e que me amam. Sou assim, eu sinto, eu vivo, e eu mastigo sentimentos, eu os uso, e vou expelindo pequenas experiências, vou crescendo e acho que finalmente floresço. Não espero muita coisa de você a não ser o seu olhar costumeiramente julgador, me fitando, me gritando em silêncio o quanto eu sou inadequada no seu pequeno mundo.
Por favor, não faça-se sentido.