Entradas categorizadas em ‘Palavras para tudo’

Branco

22/09/2009 · Deixe um comentário

Sou uma folha de papel, em branco, o tempo, as circunstâncias e os dias são a caneta, a pena, e as teclas.  Eu estou sempre sendo reescrita, o tempo todo.

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A arte da carpintaria

12/09/2009 · Deixe um comentário

Se alguma vez você se viu às voltas com um carpinteiro, olhe e aprenda, porque todos nós o seremos, se ainda não o fomos. Dê muito valor, e jamais diminua essa função. Ela é o espelho do que nós que nos expressamos por meio de palavras, fazemos. Vou explicar, porém, é muito mais fundo do que se imagina. Ao escrever sinto como se começasse algo bruto que vou cortando depois, modelando, pode parecer óbvio mas nunca tinha pensado dessa forma antes. Claro que sempre faço cortes e adequações ao meu texto.

O que o carpinteiro corta fisicamente, é preciso cortar na alma, às vezes, uma ideia absurda e boa lhe passa pela cabça e em seguida, ao tentar escrevê-la ela se perde, se espalha, e juntá-la de novo é praticamente impossível.

Achei esse texto em meus rascunhos e acho que ainda não vou terminá-lo, paro por aqui para pensar melhor em como continuar a escrevê-lo…

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Paredes de veludo, a série

16/08/2009 · 1 Comentário

meninaA gente se prende a muitas coisas, pessoas, sentimentos e momentos. Sou um animal social e, sociável, por vezes, com alguns sintomas da síndrome de Greta Garbo,  gostaria de ter um luminoso na testa com os dizeres “leave me alone”. Enfim, como todo mundo. Ou não. É que tenho um estranho costume: eu sorrio quando estou feliz, e choro quando estou triste. A cada dia vejo as pessoas tendo que se reprimir e aguentar mais, mais uma pressão, mais uma resposta atravessada, mais uma falta de amor, menos tempo para si, menos respiro, menos cuca fresca, menos sorrisos, mais pressão, mais tristeza, mais cansaço. Com belas roupas, grana, e carro na garagem. E…então é isso, em resumo, você chegou onde queria certo?  Quando começa é bem devagar, suave. Como cair e escorregar em paredes macias de veludo. A impressão de de queda, é quase nula. Você não acha que realmente que está caindo. Mas você está. Lentamente. A sua vida está ficando para trás, as coisas que você gosta, sei lá, você. Esse seu eu. Aquele que não se mostra para todo mundo. O meu eu, sempre está dividido, em muitas facetas. Receio que algumas delas se percam em meio a tanta mitose.

Conforme você desliza, tenta juntar seus pedaços. Enquanto cai, você acaba soltando o corpo, abre os olhos. Você consegue ver etapas,  como se fossem andares, diferentes departamentos, flashs da sua vida. Vê-se tudo o que foi ficando para trás, houve aquela passagem em que você teve preguiça de ligar para aquele amigo que precisava de uma palavra, e teve ainda aquela outra ocasião em que deixou de ir ao cinema, e de ver aquela exposição, que provavelmente teria feito bem a você. Mas, ao contrário, você foi se fechando, e esquecendo disso. Você agora pode ver o chão, está quase chegando ao seu tempo atual, a parede começa a se tornar áspera, o veludo sumiu, e você está arranhando as mãos, seus pés tocam suavemente o chão, e você está em sua casa. De volta.

Você pode até tentar se esconder, mas em algum momento, quando menos esperar, você vai se pegar sendo você mesmo.

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Acendendo as lamparinas

04/08/2009 · Deixe um comentário

Lamparina 2

foto de Elena Kalis

De dentro de um túnel muito escuro ela vem surgindo, pequenina, branca, mas muito segura, o peito aberto, cheio de ar, de alegria e de tentativas. As vontades se multiplicam conforme o clarão vem se aproximando de algo que parece ser a saída, afinal.  Ela tentará não ir com muita sede ao pote, geralmente essa não é uma boa tática, e geralmente ela não se segura, e se joga. Como acabou de fazer, em mares profundos e águas desconhecidas. Quando dá por si está à deriva, em meio a um oceano nadando em suas próprias lágrimas, como uma criança, ela continua com um brilho no olhar, um choro baixo para que ninguém perceba. Isso não importa, melhor deixar tudo para trás e chegar na margem. A margem…a superfície, o lugar. Será que ele realmente existe? Pode ser que ela o tenha inventado para seguir em frente, com o objetivo de perseguir algo. Deve ser por isso, que ela continua à procura esse tal lugar, um lugar que somente ela conhece, enquanto carregar uma lamparina que nunca se apaga.

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Dormência

29/07/2009 · Deixe um comentário

Eu estou acordada, em pé, andando, sentada, mente inquieta trabalhando, mas sinto uma estranha dormência. Pode ser que seja o conforto, pode ser que seja a pequena paz que recentemente adquiri, ou minha mente lutando contra mim, mas sinto isso. Lá no fundo, no meu âmago, há uma vontade irresistível de se sentar no canto escuro da sala e ser tranquilamente confundida com a mobília. Esse é o lado ruim. Mas, por outro lado, quero sair e ver o mundo, sair inclusive de trás da mesa e de frente da tela do computador, conselho do último jornalista que ainda me dá vontade de prestar atenção, Gay Talese.

Deve ser por causa dessa chuva que não para. Até porque não escrevia aqui há tempo demais, demais do que eu gostaria. Quero muito criar, quero muito me recriar, preciso disso. Todas as minhas células pedem. Acordar.

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Modern Fairy tale

01/07/2009 · Deixe um comentário

A Disney não mostrou o day after…

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Estou numa fase muito designer e fotografia, e dando minhas fuçadas “notúrnicas” achei esse blog, que tem coisas bem legais e interessantes sobre moda e fotografias também. Sem poesias por hoje.

Achei aqui

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Tarde de domingo

30/06/2009 · Deixe um comentário

Quem lê minimamente este blog, ou me conhece, sabe da minha paixão, e admiração por filmes antigos. Para mim, eles são o retrato de valores e de sentimentos que foram sendo deixados de lado. Ser apreciador de filmes antigos, é algo inato, você gosta ou não. É como talento, ou você tem ou não. Ou você sente a poesia, ou não. Ou você vê a estética, percebe a sutileza ou não. Eu também não sei porque gosto tanto dessas produções, ou porque as antiguidades me atraem, me vejo copiando um figurino sessentinha, e acho bárbaro. Bonequinha de luxo, é um filme perfeito do início ao fim, assim como as músicas de Michael Jackson.

Segue um trecho que filme que assisti hoje, parte de uma obra do Billy Wilder, um dos meus diretores preferidos.

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O silêncio

25/06/2009 · Deixe um comentário

Estou totalmente sem tempo até mesmo para respirar e escrever aqui. Hoje completa-se uma semana que voltei a trabalhar e ainda estou me adaptando aos horários e a alegria de produzir algo do que eu gosto, e de me sentir eu mesma, me esticando, alongando raízes, e fazendo uma arte aqui, outra ali.

Hoje, me deparei com um vídeo, extrato de um filme, é muito bonito.

Vamos sentir mais, e traduzir menos.

Até breve, sempre.

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Estrelas mudam de lugar

12/06/2009 · 4 Comentários

É queridos leitore(a)s uma nova constelação se desenha no céu, posso sentir. E como preciso escrever tudo nessa minha vida. Quero dividir mais essa com vocês. Estou feliz, desopilada, sofri algo como…praticamente um peeling existencial. É.

Estou de volta ao mercado de trabalho. Acordei cedo, e me arrumei, num simples gesto, abri minhas comportas, quero que elas continuem fluindo. Eu sou uma fonte.

Apesar de todo aquele papo de que a felicidade está dentro de você, do qual sou plenamente crédula, pelo menos para mim, ela precisa ter um feedback. Eu não vivo sozinha, aliás, nem quero, nem preciso. E por isso, o trabalho me proporciona essa chance de ser quem eu sou, de uma forma melhor, mais completa. Eu posso ser quem eu quiser, mas escolho ser eu, essa de agora, mais animada.

Hoje é dia dos namorados. Sem nada dizer, porque já se fala muito, quero deixar trechos de filmes e suas músicas, uma para os amantes, outra para os viajantes, eu prefiro…os dois.

curtam…

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Ironias perigosas

03/06/2009 · Deixe um comentário

Pelezinho em 2014

Como já diz o presidente Lula, ”…nunca antes na história desse país…”, se viu livros didáticos com poesia adulta. Até então, o que era impróprio na educação brasileira eram os problemas com escolas, professores, e alunos problemáticos. Desde maio, outro quesito nota zero entrou na lista. Crianças de 9 anos podem ter recebido em mãos, livros impróprios para a idade deles, e com linguagem adulta. Enquanto isso, todos (quem?!) estão muito ogulhosos pela escolha de São Paulo para ser uma das cidades sede da Copa do Mundo de Futebol a ser realizada em 2014 no Brasil.

Quem lê, viaja

“No começo do mês de maio foram distribuídos em escolas públicas livros de poesias do programa “Ler e Escrever”, alguns poemas apresentavam ironias e linguagem adulta, que as crianças ainda não conseguem entender. O jornal O Globo, versão on line, publicou numa matéria, veja esse trecho:

” (…) Na poesia ‘Manual de auto-ajuda para supervilões’, há uma frase que diz ‘Nunca ame ninguém. Estupre’. No mesmo poema, os alunos ainda encontraram frases como ‘Tome drogas, pois é sempre aconselhável ver o panorama do alto’ e ‘Seja um pouco efeminado. Isso sempre funciona com estilistas’.

A outra poesia, ‘Perdido nas cidades’, tem um trecho que fala de um esquimó; ‘Meu amigo esquimó nunca me deixa só. E, quando estou prestes a congelar, ele mija em cima de mim’.

Esse é o terceiro caso de problemas com o material escolar registrado nas escolas estaduais de São Paulo neste ano. Em março, alunos da 6ª série do ensino fundamental receberam livros de Geografia com informação errada, em que o Paraguai aparecia duas vezes no mapa e o Equador sequer era ilustrado (…)”. 28/05 às 11h18 Leonardo Guandeline, O Globo.

A parte do “nunca ame ninguém, estupre”, é chocante. Fico imaginando a cabecinha da criança lendo aquilo. Detalhe: nao há ninguém da Secretaria da Educação para revisar os livros. Será que alguém se daria ao trabalho de fazer isso? Bobagem. Se eu fosse professora leria tudo antes de recomendar a meus alunos, daqui para frente. Agora o professor tem que revisar livro didático que chega pronto na sala de aula, e depois se precisar ele que arranque a página. São 818 obras constantes da lista do programa, até agora foram encontrados três livros com esses “erros”. Sabe-se lá quantos passarão pela vistoria feita às pressas, e chegarão às mãos de alunos.

“Vocês nunca mais vão ver nesse país um mapa do Brasil com dois Paraguais. Nunca mais. E, se alguém fizer errado, o Mec tem que corrigir”.

Palavras do Presidente Lula


Mais um gol de cabeça

Ser otimista em nosso país é uma luta inglória. Não é a voz de Cassandra, que vos fala, estou sendo realista, apenas. Não sou do tipo de gente que consome com culpa por que tem gente passando fome na Somália -  nada disso. Porém, veja bem, estou no Brasil, sou brasileira, e sei que, como sempre, o futebol, a festa, o samba, o suor e a cerveja, apagam da memória as mazelas políticas e as tragédias sem cura, que parecem ir junto com a ressaca pelo ralo.

Com todo o “perrengue” atual,  com tanta coisa para ser feita, ainda há que se construir uma grande do parte do país, devastado pelas chuvas, e pela seca, e agora toda essa mobilização para isso? Para reforma de estádio de futebol? Isso quer dizer que vão acontecer obras, e obras, e muito trabalho para muita gente, e muito faturamento,e aquelas licitações obscuras, etc.  Mas, não é só isso…e as obras nas cidades da região Sul atingidas pelas chuvas? Nem tijolos foram entregues até agora. Nossas doações foram feitas. Onde estão? Não sei, quem souber me explica. No fundo a gente sabe, mas será que queremos saber da verdade? Muitas perguntas.

Dificilmente me supreendo, tamanha a lama dessa política que aí temos. Confesso que dessa vez, gastei um tempo pensando nisso. Passei na frente da sede da prefeitura de Sampa, no Viaduto do Chá e vi uma trave com rede e tudo, decorativa, simulando uma grande área de futebol. E no meio da rede ficou posicionada a entrada do prédio com um furo por onde as pessoas podiam entrar e sair dali. Me pareceu mais uma malha fina, uma rede onde só caem os trouxas, automaticamente me lembrei do ditado popular, “caiu na rede é peixe”.  O Pelezinho devia chutar a bola na cabeça do prefeito, do governador e do presidente. E depois eles acordariam na ilha de Lost.

O processo todo começou, como de costume é muito simples. Basta continuar assolando as pessoas com festas e prêmios, ilusões, e a cereja do bolo, um campeonato de futebol. De quebra, vai ter trio elétrico na rua, mulatas sambando, e uma bateria de escola de samba, uma festa linda. Ah, e quem sabe um sorteio de casas próprias e carros, tudo muito democrático. Claro, afinal não é todo dia que se é sede de Copa do Mundo. Praticamente um cometa.

Pronto. Puf. Tudo resolvido, mais uma vez. Sul, Nordeste, alô Maranhão, vocês também estão festejando?

O plano de crescimento continua firme e forte, no crescimento de problemas, de castástrofes e de viagens de lazer pagas por nós, otários e contribuintes. Alguém me explica onde está o sucesso do governo Lula? Obrigada.

Brasil, mostra a tua cara quero ver quem paga pra gente ficar assim!

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