Eu não sou crítica de cinema, somente escrevo sobre os filmes que vejo e que na minha opinião, merecem uma reflexão, merecem ser vistos de novo, amados para sempre, ou odiados. Sou livre (pelo menos aqui!) a ponto de dizer o que sinto em primeira pessoa. Cinema é história, identidade. Eu me encontro num filme, e enxergo o quanto é inútil o tempo, e as palavras que desperdiço reclamando de qualquer aspecto da minha vida. Ou ainda, uma boa película, desperta em mim o desejo maior de viver intensamente cada minuto da minha existência. Afinal, para quê perder tempo?
É assim que eu me senti depois de assistir O curioso caso de Benjamim Button, quero ver de novo. Preciso começar com um clichê, conhecer essa história é como sentir uma lufada de ar fresco, o filme foi baseado no conto homônimo de F. Scott Fitzgerald. A inspiração de F. Scott veio da famosa frase de Mark Twain: “A vida seria infinitamente mais feliz se pudéssemos nascer aos 80 anos e gradualmente chegar aos 18″.
É poesia pura do começo ao fim. Sublime, leve, bonito, como há muito tempo não vê. Só me lembro de sensação parecida depois de assistir Forrest Gump. O roterista Eric Roth, autor de ambos os filmes, também roteirizou o excelente O Informante (The Insider). Forrest Gump e
Button marcam tanto pela sensibilidade de mostrar de maneira grandiosa algo simples, como o valor da vida, como pelos exímios efeitos especiais. Brad Pitt dedicava 5 horas diárias para a maquiagem.
A história faz o relógio biológico do enrugado e frágil menino que nasce com a aparência e os achaques de um octagenário, voltar para trás. Ele vai rejuvenescendo com o passar do tempo, e registra tudo num diário, só por isso já dá curiosidade. Não ligue para quem anda falando que o filme é parado. Ora bolas, por acaso é um filme de ação? É um filme feito para ser apreciado, sentido, e refletido com calma. A mesma calma interminável de Benjamin Button. Um velho-menino que vive num asilo com a mãe, ele remoça quando todos acham que ele morrerá em breve. O mais impressionante é a forma como ele aceita o que recebeu da vida. Considero um grande conto de fadas, sem mágica, e sem nenhum truque.
A forma como essa bela história foi contada é que conta. São 2h46m bem gastos.
Brad Pitt, nunca esteve tão bem, tão maduro, que até as rugas lhe caíram bem, Cate Blanchet que já havia feito par com ele em Babel, está perfeita também, mas não consegue ofuscar Brad, o filme realmente é dele. A pele branca de Blanchet foi amplamente explorada pela fotografia lindíssima. O jogo entre claro e escuro e a iluminação difusa dão às cenas um ar mágico e acetinado.
Benjamin Button foi filmado em Nova Orleans, com um orçamento de US$ 150 milhões, a pedido dos produtores, o roteirista Eric Roth e o direitor David Fincher aceitaram mudar seus planos de filmar em Baltimore devido aos incentivos fiscais oferecidos. Depois do furacão Katrina, que em 2005 devastou a cidade, este é o segundo filme a ser rodado lá desde 2006 quando a cidade serviu de locação para Déjà Vú.
BB concorre a 13 oscars, nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (Brad Pitt), Melhor Atriz Coadjuvante (Taraji P. Henson), Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia, Melhor Figurino, Melhor Maquiagem, Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora, Melhor Som e Melhores Efeitos Especiais. Recebeu 5 indicações ao Globo de Ouro, e abocanhou outros prêmios tão importantes quanto o Oscar e ainda ganhou 3 prêmios no BAFTA (British Academy of Film and Television Arts).
Charles Chaplin disse em um de seus textos, que o ser humano deveria começar pela morte, e depois ir voltando no tempo até nascer, logo me veio à mente os dois pensamentos, dois cérebros brilhantes passeando juntos, Chaplin e Fitzgerald.
“A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso. Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria.Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara pra faculdade. Você vai pro colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando….E termina tudo com um ótimo orgasmo!!! Não seria perfeito?”
Charles Chaplin
Curiosidade: Curioso plágio?